Chuva de Ferro
A tempestade começou antes do pôr do sol.
O céu, pesado e doente, cuspia relâmpagos que rasgavam o horizonte.
Cami Quinn cavalgava devagar, o chapéu puxado para frente, o casaco encharcado colando na pele. O cheiro de terra molhada se misturava ao odor metálico do sangue seco na sua luva esquerda.
No topo da colina, viu as luzes da pequena cidade de Redwater piscando. No meio da rua principal, sob a chuva cortante, cinco homens esperavam. Chapéus abaixados, rifles prontos. Caçadores de recompensa — dos piores.
Um deles gritou, tentando se fazer ouvir entre trovões:
— Cami Quinn! Vale mais viva, mas morta já serve!
Ela desmontou do cavalo.
Lentamente.
A água escorria pelo rosto. Os dedos tocaram o cabo das pistolas.
— Então venham cobrar. — disse, com a voz baixa, mas firme.
O primeiro tiro não foi dela.
Mas o último, sim.
Os relâmpagos iluminavam corpos tombando no barro, a água tingida de vermelho, o eco das balas misturado ao rugido do céu. Cami movia-se como sombra e trovão, cada disparo certeiro, cada passo firme.
Quando o silêncio voltou, só restava o som da chuva.
Ela recolheu uma gaita de boca caída no chão — suja de lama e sangue. Soprou uma nota longa, quase um lamento, antes de guardá-la no bolso e montar no cavalo.
Partiu sem olhar para trás.
A tempestade continuou… mas agora, para Redwater, a chuva tinha gosto de pólvora.