“A Canção da Lua Mansa”
O fogo crepitava baixo.
Cami Quinn ajeitava a manta sobre o lombo do cavalo, limpando suavemente um pequeno arranhão com um pano úmido.
— Você correu bem hoje, parceiro... — murmurou, a voz serena, quase carinhosa.
A noite caía sobre o deserto como um véu silencioso. O céu, salpicado de estrelas, parecia pesado de lembranças.
Cami sentou-se sobre uma pedra, retirou uma flauta da bolsa e assoprou uma melodia lenta. A música cortava o silêncio como brisa em campo de trigo.
Entre uma nota e outra, vinham os pensamentos.
— Ele também tocava... — pensou, com o olhar perdido nas chamas.
Um breve flash em sua mente:
Duas crianças correndo pelo curral, risadas no ar. Um menino com olhos claros e mãos sujas de terra. Um irmão. Um passado.
“Promete que nunca se corromper, Cami?”
“Só se você prometer também.”
O som de um coiote ao longe trouxe-a de volta. Ela suspirou. A melodia mudou. Agora soava mais como um lamento.
Lentamente, Cami guardou a flauta e passou a mão no chapéu. Olhou para o céu.
— Ainda estou aqui, irmãozinho. Fazendo justiça do meu jeito.
Ela se levantou, acariciou o pescoço do cavalo e olhou ao redor — nenhum inimigo, nenhum grito, nenhum disparo. Só a lua mansa brilhando sobre a areia.
Naquela noite, não havia sangue. Apenas silêncio, música... e memória.