“Cinzas em Santa Dolores”
Santa Dolores era uma cidade fantasma muito antes de ser queimada. Um antigo reduto de mineiros e comerciantes, agora tomada por bandidos mascarados que se autodenominavam "Os Queimadores" — homens que punham fogo em tudo que não podiam roubar.
Diziam que eles deixavam viva apenas uma pessoa por vila, para espalhar o medo. Diziam que ninguém conseguia seguir seu rastro. Mas ninguém era Cami Quinn.
Ela chegou montada ao entardecer, cavalgando entre as cinzas ainda quentes e corpos carbonizados. Encontrou um velho caído perto de um poço seco, balbuciando uma única palavra:
— Estão voltando…
Cami esperou.
Na madrugada, os Queimadores vieram. Rindo. Bebendo. Cantando como se fossem donos do inferno.
Mas naquela noite, o inferno respondeu.
Os tiros começaram antes do primeiro grito. Cami surgiu das sombras, olhos frios como aço, disparando sem errar. Um a um, os assassinos tombaram, alguns tentando fugir, outros implorando por perdão.
Quando só restava o líder — um homem com máscara de ferro e cicatrizes de fogo — ele tentou negociar.
— Podemos dividir tudo, mocinha. Não precisa terminar assim...
Mas Cami já havia decidido.
— Você assinou o contrato de morte no dia em que acendeu o primeiro fósforo.
O último tiro ecoou entre os escombros.
Pela manhã, Santa Dolores estava em silêncio. Não por medo. Mas por paz.
Cami cavalgou para longe, deixando para trás o cheiro de pólvora, vingança... e justiça.