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Capítulo 8: Cami Quinn: Os Sete Caixões de Dust Creek


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Os Sete Caixões de Dust Creek


I — O PRESSÁGIO

Dust Creek era uma cidade morta que ainda não sabia disso.

Sete caixões estavam alinhados em frente à funerária, madeira crua, tampas fechadas, todos do mesmo tamanho.
Sem nomes.
Sem datas.

O vento soprava a poeira entre eles como se estivesse contando os dias.

Cami Quinn chegou ao entardecer.
Chapéu baixo.
Olhar firme.
A estrela de xerife antiga ainda presa ao casaco de couro gasto.

Ela desmontou do cavalo e parou diante dos caixões.

— Quem morreu? — perguntou.

O coveiro saiu da funerária arrastando os pés. Era magro demais, olhos fundos, mãos manchadas de verniz e terra.

— Ainda ninguém, — respondeu. — Mas vão morrer.

Cami encarou o homem.

— Sete?

Ele assentiu, com um sorriso torto.

— Sempre sete.

II — A PROFECIA

A cidade inteira conhecia o ritual.

Quando um caixão surgia, alguém morria antes do próximo pôr do sol.
Sem exceções.
Sem falhas.

Alguns diziam que o coveiro tinha visões.
Outros juravam que ele falava com os mortos.

Cami passou a noite observando.

No primeiro pôr do sol, um bêbado caiu morto no beco atrás do bar.
Um tiro limpo.
Ninguém viu o atirador.

O coveiro abriu o primeiro caixão com calma.

— Um, — murmurou.

No segundo dia, uma mulher foi encontrada na igreja, garganta cortada diante do altar.
O sino tocou sozinho.

— Dois.

Cami começou a notar algo errado.

Os mortos não eram aleatórios.
Eram todos ligados a um massacre antigo — mineiros, famílias queimadas, um crime enterrado sob Dust Creek.

E alguém estava garantindo que cada caixão fosse preenchido.

III — A VERDADE

Na quarta noite, Cami seguiu o coveiro.

Debaixo da funerária havia um porão.
Armas guardadas.
Mapas da cidade.
Nomes riscados.

Não era profecia.
Era execução.

O coveiro não trabalhava sozinho.

Três homens surgiram das sombras — ex-pistoleiros, agora justiceiros tortos. Eles acreditavam estar “equilibrando a balança”.

— Eles mataram nossos irmãos, — disse um deles.
— E agora vão pagar.

Cami puxou os revólveres.

— Vocês não são justiça, — disse fria. — São só assassinos com desculpa.

O tiroteio foi rápido.
Brutal.
Sem heroísmo.

Quando a fumaça baixou, só Cami estava de pé.

Ela arrastou os corpos para fora.

IV — OS CAIXÕES CERTOS

Ao amanhecer, a cidade se reuniu.

Sete caixões ainda estavam ali.

Cami abriu um por um.

Os corpos dos verdadeiros culpados estavam dentro.

O coveiro tremia.

— O destino precisava ser cumprido…

Cami apontou o revólver.

— Foi.

Um tiro seco.

O último caixão fechou sozinho, empurrado pelo vento.

Cami montou no cavalo.

Antes de partir, falou sem olhar para trás:

— Alguns destinos não se preveem.
— Se impõem.

Dust Creek nunca mais recebeu outro caixão.

Mas ninguém esqueceu o som da madeira sendo fechada naquela manhã.

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