Cami Quinn Postado Dezembro 20, 2025 Denunciar Postado Dezembro 20, 2025 Os Sete Caixões de Dust Creek I — O PRESSÁGIO Dust Creek era uma cidade morta que ainda não sabia disso. Sete caixões estavam alinhados em frente à funerária, madeira crua, tampas fechadas, todos do mesmo tamanho. Sem nomes. Sem datas. O vento soprava a poeira entre eles como se estivesse contando os dias. Cami Quinn chegou ao entardecer. Chapéu baixo. Olhar firme. A estrela de xerife antiga ainda presa ao casaco de couro gasto. Ela desmontou do cavalo e parou diante dos caixões. — Quem morreu? — perguntou. O coveiro saiu da funerária arrastando os pés. Era magro demais, olhos fundos, mãos manchadas de verniz e terra. — Ainda ninguém, — respondeu. — Mas vão morrer. Cami encarou o homem. — Sete? Ele assentiu, com um sorriso torto. — Sempre sete. II — A PROFECIA A cidade inteira conhecia o ritual. Quando um caixão surgia, alguém morria antes do próximo pôr do sol. Sem exceções. Sem falhas. Alguns diziam que o coveiro tinha visões. Outros juravam que ele falava com os mortos. Cami passou a noite observando. No primeiro pôr do sol, um bêbado caiu morto no beco atrás do bar. Um tiro limpo. Ninguém viu o atirador. O coveiro abriu o primeiro caixão com calma. — Um, — murmurou. No segundo dia, uma mulher foi encontrada na igreja, garganta cortada diante do altar. O sino tocou sozinho. — Dois. Cami começou a notar algo errado. Os mortos não eram aleatórios. Eram todos ligados a um massacre antigo — mineiros, famílias queimadas, um crime enterrado sob Dust Creek. E alguém estava garantindo que cada caixão fosse preenchido. III — A VERDADE Na quarta noite, Cami seguiu o coveiro. Debaixo da funerária havia um porão. Armas guardadas. Mapas da cidade. Nomes riscados. Não era profecia. Era execução. O coveiro não trabalhava sozinho. Três homens surgiram das sombras — ex-pistoleiros, agora justiceiros tortos. Eles acreditavam estar “equilibrando a balança”. — Eles mataram nossos irmãos, — disse um deles. — E agora vão pagar. Cami puxou os revólveres. — Vocês não são justiça, — disse fria. — São só assassinos com desculpa. O tiroteio foi rápido. Brutal. Sem heroísmo. Quando a fumaça baixou, só Cami estava de pé. Ela arrastou os corpos para fora. IV — OS CAIXÕES CERTOS Ao amanhecer, a cidade se reuniu. Sete caixões ainda estavam ali. Cami abriu um por um. Os corpos dos verdadeiros culpados estavam dentro. O coveiro tremia. — O destino precisava ser cumprido… Cami apontou o revólver. — Foi. Um tiro seco. O último caixão fechou sozinho, empurrado pelo vento. Cami montou no cavalo. Antes de partir, falou sem olhar para trás: — Alguns destinos não se preveem. — Se impõem. Dust Creek nunca mais recebeu outro caixão. Mas ninguém esqueceu o som da madeira sendo fechada naquela manhã. 2 Citar
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