Cami Quinn Postado Junho 13, 2025 Denunciar Postado Junho 13, 2025 “A Canção da Lua Mansa” O fogo crepitava baixo. Cami Quinn ajeitava a manta sobre o lombo do cavalo, limpando suavemente um pequeno arranhão com um pano úmido. — Você correu bem hoje, parceiro... — murmurou, a voz serena, quase carinhosa. A noite caía sobre o deserto como um véu silencioso. O céu, salpicado de estrelas, parecia pesado de lembranças. Cami sentou-se sobre uma pedra, retirou uma flauta da bolsa e assoprou uma melodia lenta. A música cortava o silêncio como brisa em campo de trigo. Entre uma nota e outra, vinham os pensamentos. — Ele também tocava... — pensou, com o olhar perdido nas chamas. Um breve flash em sua mente: Duas crianças correndo pelo curral, risadas no ar. Um menino com olhos claros e mãos sujas de terra. Um irmão. Um passado. “Promete que nunca se corromper, Cami?” “Só se você prometer também.” O som de um coiote ao longe trouxe-a de volta. Ela suspirou. A melodia mudou. Agora soava mais como um lamento. Lentamente, Cami guardou a flauta e passou a mão no chapéu. Olhou para o céu. — Ainda estou aqui, irmãozinho. Fazendo justiça do meu jeito. Ela se levantou, acariciou o pescoço do cavalo e olhou ao redor — nenhum inimigo, nenhum grito, nenhum disparo. Só a lua mansa brilhando sobre a areia. Naquela noite, não havia sangue. Apenas silêncio, música... e memória. 2 Citar
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