O LEGADO SANGRA
A fazenda de Mr. Cow Ala queimava devagar.
Não era incêndio de roubo. Era mensagem.
No curral, fincado numa estaca, alguém havia deixado o símbolo antigo da LEGACY riscado a faca — torto, profanado.
Cow Ala ficou parado, chapéu baixo, observando a fumaça subir como um fantasma antigo. Não gritou. Não correu. Apenas pegou o velho rifle encostado na parede e o limpou em silêncio.
Horas depois, cascos cortaram a estrada de terra.
Cami Quinn chegou sem pressa, os olhos varrendo os restos chamuscados.
— Isso aqui não foi bandido comum — disse.
Cow Ala assentiu.
— Nunca é, quando querem que você lembre quem foi.
Ela reconheceu o símbolo.
— Estão caçando a LEGACY.
Naquela noite, no saloon fechado há anos, duas lanternas acesas quebravam a escuridão. Velhos bancos, marcas de bala nas paredes, nomes esquecidos riscados na madeira. O lugar ainda respirava pólvora.
— Eu parei — disse Cow Ala.
— Eles não — respondeu Cami.
Os inimigos vieram antes do amanhecer. Quatro homens. Rápidos. Confiantes. Errados.
O primeiro caiu sem ver de onde veio o tiro.
O segundo morreu tentando correr.
O terceiro implorou.
O último reconheceu Cow Ala.
— Achei que você estivesse morto.
Cow Ala puxou o gatilho sem raiva.
— Achei que vocês fossem mais espertos.
Quando o sol nasceu, o saloon estava em silêncio outra vez. Não por abandono. Por respeito.
Cami montou no cavalo.
— A LEGACY ainda vive.
Cow Ala olhou para o rifle, depois para o símbolo na parede.
— Só quando precisa.
Ela cavalgou para longe.
E mais uma vez, o deserto aprendeu a lição:
o legado sangra — mas nunca morre.
@Legacy @Coala