O Último Trem para El Paso
A noite era negra como carvão, cortada apenas pelo silvo distante do trem que cruzava o deserto. O “El Paso Express” não levava passageiros naquela viagem — apenas caixas pesadas cheias de ouro roubado de uma mina.
Os homens que o guardavam eram chacais de aluguel, contratados para garantir que nada chegasse vivo ao destino.
Mas o que eles não esperavam era Cami Quinn, montada em seu cavalo, avançando em disparada pela lateral dos trilhos.
Cami saltou, agarrando-se ao ferro frio do vagão de carga. O vento chicoteava seus cabelos dourados sob o chapéu, e seus olhos azuis ardiam com a fúria da vingança.
Dentro, os mercenários bebiam e riam. A primeira bala de Cami atravessou a parede de madeira, calando a risada de um deles. O segundo não teve tempo de sacar a arma antes que a bota da cowgirl esmagasse seu rosto contra a mesa.
Cada vagão era uma carnificina. O trem, agora, não levava apenas ouro — mas um rastro de corpos.
No último vagão, o chefe da quadrilha a aguardava. Um brutamontes de barba grisalha, armado com uma espingarda de cano duplo.
— Você não vai sair viva daqui. — rosnou ele.
Cami não respondeu. Apenas inclinou o chapéu e puxou o gatilho.
O estampido ecoou pelo deserto.
Quando o trem chegou a El Paso, o ouro ainda estava lá. Os mercenários, não.
E na escuridão da estação, a silhueta de uma cowgirl solitária desaparecia na noite.